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Pesquisa · Ciência da Religião

Mulheres na Umbanda

Uma pesquisa sobre institucionalização, apagamento histórico e as trajetórias de resistência de mulheres que sustentaram e transmitiram a tradição religiosa.

O problema de pesquisa

Uma história também construída por mulheres

A dissertação analisa como o processo de institucionalização da Umbanda, a partir da década de 1920, alinhou-se a estruturas da sociedade dominante e contribuiu para marginalizar as mulheres — especialmente as mulheres negras — nos espaços formais e na literatura da religião.

A presença feminina foi constante nas práticas e nos terreiros. Ainda assim, registros institucionais e narrativas hegemônicas sobre a história da Umbanda silenciaram muitas dessas atuações. A pesquisa propõe contar uma versão da história da religião no Rio de Janeiro que reconheça a importância das mulheres negras e a presença de diferentes mulheres, antes e durante as primeiras décadas de sua conformação como religião.

O apagamento das mulheres não é circunstancial: integra um processo institucional e estrutural atravessado por uma história patriarcal, colonial e racializada.
Superfície de água em movimento, referência visual à ancestralidade e à transmissão da tradição

Recorte histórico

Das tradições anteriores à história oficial

Os capítulos partem das raízes históricas da subalternização feminina no Brasil e passam pelas tradições negras e indígenas anteriores à institucionalização da Umbanda.

A análise alcança as federações e os congressos que ajudaram a moldar uma versão oficial da religião, observando quem pôde ocupar os registros formais e quem permaneceu à margem deles. Por fim, apresenta trajetórias de resistência protagonizadas por mulheres umbandistas.

Fontes e método

Indícios para ler os silêncios

Inserida no campo da Ciência da Religião e em diálogo com teorias de gênero, raciais e sociais, a dissertação investiga os mecanismos estruturais que atravessam a trajetória das mulheres na Umbanda.

A abordagem histórica apoia-se no método indiciário e articula análise documental, pesquisa bibliográfica e fontes diversas. O método permite observar vestígios, ausências e contradições para compreender presenças que a narrativa institucional não registrou de maneira central.

Contribuição

Reinterpretar a história da Umbanda

Ao trazer à tona histórias silenciadas, a pesquisa reafirma a importância das mulheres — sobretudo das mulheres negras — na sustentação e na transmissão da tradição religiosa. Seu objetivo não é acrescentá-las como nota lateral, mas compreender como sua marginalização foi produzida e como suas trajetórias desafiam a história oficial.